Vivencie Moscou e tenha uma das maiores experiências que um viajante pode ter

Na segunda metade do século XIX, as nações industriais mais avançadas reforçaram sua hegemonia nos continentes conquistados. Interiores foram destravados, riquezas materiais foram saqueadas, e nativos “incivilizados” foram amansados e explorados.

As ferrovias se tornaram um símbolo dessa conquista, pois sua abrangência e dimensão indicavam enorme poder. Mais quilômetros de trilhos, locomotivas maiores, estações mais suntuosas — tudo isso transbordava de pompa imperial. A Rússia, evidentemente, não ficou imune ao processo e se lançou ao imenso vazio siberiano e ao distante litoral do Pacífico.

Estavam em jogo as riquezas da Eurásia Interior, então ainda por descobrir e desenvolver, aparentemente inacessíveis por causa da própria dimensão física desses remotos territórios. Daí a solução: a construção da maior ferrovia do mundo, a vasta Transiberiana.

O percurso clássico da Transiberiana vai da estação Yaroslavl, em Moscou, a Vladivostok. As duas cidades são separadas por 9.288 km, sete fusos horários e um terço do globo, e cada trecho desse percurso é memorável.

A ferrovia margeia o largo Baikal, que resplandece em meio à taiga siberiana, e um ramal seu, a Ferrovia Transmongol, continua atravessando clássicas paisagens russas — florestas e casas que parecem a da bruxa em João e Maria —, antes de se submeter às sublimes estepes mongóis.

Tanto a Transmongol quanto a Transmanchuriana chegam a Pequim e à maior das atrações: a imponente Grande Muralha da China. A Transiberiana tem velocidade média em torno de 60 km/h — um exemplo do movimento de slow travel por excelência.

Os vagões não são especialmente glamourosos: pense em algo surrado, mas funcional. Por outro lado, a viagem nunca é chata, não importa se você faz o percurso sem interrupções, saboreando a lenta evolução da paisagem pela janela, ou se aproveita para explorar as numerosas e fascinantes paradas ao longo do caminho.

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