Vai a Meroe, deslumbrar-se com as pouco conhecidas pirâmides do deserto sudanês

Em 19 de julho de 1913, o New York Times anunciou que o capitão Kelsey e sua equipe estavam prontos para zarpar da Inglaterra rumo à Cidade do Cabo, na expectativa de então viajar até o Cairo de automóvel.

Os homens previam que essa épica road trip, “visitando distritos pouco conhecidos… [para avaliar] sua adequação à habitação europeia e o temperamento dos nativos’: levaria um ano. Não foi assim. Kelsey adentrou a mata para perseguir um leopardo ferido no Zimbábue e foi morto pelo bicho.

Já na década de 1890, os imperialistas britânicos sonhavam com uma rodovia que unisse seu império do Egito à África do Sul, passando pelos atuais Sudão, Sudão do Sul, Quênia, Maláui, Zâmbia, Zimbábue e Botsuana, com a esperança de que os alemães permitissem a passagem pela Tanzânia, sua colônia.

Essa rodovia a rigor ainda não existe — não como uma estrada única —, mas isso não impede que viajantes aventureiros completem a travessia. Não há um percurso “clássico” entre o Cairo e o Cabo — maquinações políticas e guerras em várias ocasiões fecharam alguns trechos e abriram outros.

No entanto, muitos viajantes percorrem uma trilha semelhante, ziguezagueando a partir do Egito, atravessando Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e Quênia, desviando-se para Uganda e Ruanda, e então descendo por Tanzânia, Maláui, Moçambique e possivelmente Zâmbia, Zimbábue, Botsuana e Namíbia, antes de chegar à África do Sul e ao fim do continente.

Mas, mesmo se houvesse uma rodovia principal, você iria querer segui-la? A diversão, afinal, está nos “becos” da África, nas estradas de terra que levam a parques com feras à solta, a ruínas antigas semienterradas na areia, a praias onde pescadores se equilibram em canoas para lançar suas redes, a vulcões adormecidos, a igrejas escavadas na pedra e a lagos cheios de flamingos. É um continente de extremos. Só tome cuidado com os leopardos…

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