Uma jornada ferroviária, cruze 3 mil KM do interminável Outback

De Darwin a Adelaide, como mostra o mapa, a viagem é longa: quase 3 mil km, cruzando um deserto alaranjado. Não surpreende que ninguém estivesse muito a fim de cruzar o outback (o sertão australiano), pelo menos até a chegada dos afegãos e seus camelos.

A partir da década de 1860, pequenos grupos de imigrantes da Ásia desembarcaram com seus “navios do deserto” e se puseram a abrir o hostil Centro Vermelho da Austrália.

Fizeram um bom trabalho, e seu legado (além dos cerca de 1 milhão de camelos selvagens que hoje grassam no outback) pode ser experenciado em uma das maiores jornadas ferroviárias da Terra.

A viagem de trem no Ghan é realmente épica, ligando a capital da Austrália do Sul à do Território do Norte, o confronto do oceano Antártico com o tropical mar de Timor, passando por serras avermelhadas, rochas esquisitas, florestas tropicais e alguns cangurus.

A ferrovia existe na sua forma atual há menos de uma década — demora mesmo para domar uma vastidão tão agreste —, mas o primeiro Expresso Afegão partiu de Adelaide em 4 de agosto de 1929.

Na época, uma trêmula multidão ficou boquiaberta ao ver a maria-fumaça sair da cidade com destino a Alice Springs, 1.500 km ao norte. A viagem levou dois dias. As coisas mudaram bastante desde então no trajeto.

Os trilhos e dormentes originais se revelaram altamente inadequados, colocados em áreas propensas a enxurradas e destruição por cupins — atrasos de dez dias não eram incomuns. Na década de 1980, novas linhas de bitola-padrão foram instaladas, e em 2004 a linha foi finalmente ampliada até Darwin.

Embarque no Ghan completo, em toda a sua glória. Porque glorioso ele é mesmo. Não com a opulência do Expresso do Oriente —embora o Platinum Service ofereça certo glamour a bordo.

Mas, mesmo nos vagões comuns, o Ghan é glorioso em escala e abrangência. Com ele, você realmente vê um país inteiro — um país grande de verdade — passar na janela.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of